“Este não é um dos filmes ‘sinta-se bem’ do ano, então, se você é um dos idiotas que preciam se sentir bem, vá fazer uma massagem nos pés”. É assim que  Woody Allen volta à eterna New York. Estranho, depois de quatro filmes na Europa… Voltou mais chato, mais reclamão, mais insensível e… Suicida. Pode parecer, mas este não é mais um filme de Allen, somente. Tudo Pode Dar Certo(2009) é excelente, um destaque em seus quase 50 filmes.

Boris Yellnikoff não é um cara fácil de se gostar. Acha que as pessoas não são fundamentalmente descentes, que nada leva a nada e ainda não faltam idiotas para balbuciar. Um velho indicado ao Nobel de Física, ensina xadrez para vermes estúpidos, crianças, e leva a vida na morosidade dos amigos e da música. Certa noite, uma adolescente caipira do sul, que fugiu de casa, aparece à sua porta. A garota logo se apaixona pelo velho e se casam.

Algo interessante em Woody Allen é que não há uma tese em seus filmes, como evidentemente faz Charlie Kaufman – talvez exista algo em A Rosa Púrpura do Cairo e Match Point, mas é tênue e incomum. Mesmo sem uma tese, Allen se afirma no seu humor inteligente e ateu – talvez só por não ser besteirol, cause essa impressão. Em Whatever Works, a trama parece uma crítica ao conservadorismo do sul, presente inicialmente nos pais da garota Melodie, então libertos em New York.

Woody Allen é um cara sortudo: do pulo nesse absurdo-existir, se deu como cineasta. Enquanto segue com seus filmes, seguimos vendo-os, mesmo que sejam Scoop‘s ou Hollywood Ending‘s. Nesse arrastar, sempre podemos roubar um pouco de alegria desse cruel, cão-come-cão e inutil caos sombrio, afinal, tudo pode dar certo.