Jonah Hex é um personagem de quadrinhos casca-grossa, cowboy adotado – e depois renegado – por índios que deformaram sua face gravando “a marca do demônio” (basicamente um talho de machadinha quente descendo o rosto) , andava por aí com o uniforme confederado (lado perdedor da guerra da secessão) e uma postura cínica de dar inveja ao pistoleiro sem nome do Clint Eastwood.
Além do ambiente natural – das histórias de faroeste clássico – o personagem teve uma fase em que foi transportado a um futuro pós-apocaliptico e uma fase “weird West” – histórias que misturam terror e faroeste.
Faroeste clássico/terror/ficção cientifica uau! Não tem como os leitores de quadrinhos – aqueles chatos – reclamarem que estragamos o personagem preferido deles – Jonah, é tu mesmo….Eu não sei o que se passa na cabeça dos produtores hollywoodianos, mas Jonah Hex podia ter virado um filmão de faroeste, um anti-dança com lobos fodasso com um personagem badass mas carismático – claro que explorar esse lado do personagem exige muitas licenças politicamente incorretas e o filme teria problemas com a turma dos político-chatos e deve ter sido por esse motivo que os produtores escolheram se enveredar por tentar transformar o filme num pastiche de terror sobrenatural e a modinha da vez: o steampunk.
Digo isso com base unicamente no trailer divulgado, mas todos os elementos do desastre estão lá. Assistam ao trailer e deixem nos comentários sua impressão:








“Modinha da vez” é ótimo! =)
Bruno, indiscutivelmente o Steampunk está na sua ‘segunda onda’ americana e ‘primeira onda’ brasileira e você há de concordar que sempre que a produção incha, grande parte do material é lixo, como parece ser o caso desse Jonah Hex.
Não me entenda mal, sou steamer, mas gosto de lenha de qualidade na minha caldeira.
Cordiais abraços, cavalheiro!
Nessas horas eu cito a Lei de Sturgeon: “90% de qualquer coisa é lixo”.
A moda está em sua segunda onda nos EUA; a moda está, creio, em sua primeira onda no Brasil; e na Europa não é moda, mas apenas mais um gênero apreciado, como a Ficção Científica ou a Fantasia.
Independente da moda, contudo, há a produção cultural de um gênero. Há pouca relação entre o que é popular de fato entre multidões e o que é efetivamente produzido.
Sem dúvida a produção aumenta conforme a audiência aumenta, entretanto, para além da moda, o que costuma importar para quem aprecia de fato a fruição daquele formato e daquela linguagem é o que está nas prateleiras – isso do ponto de vista de consumo.
Do ponto de vista de produção cultural a coisa muda de figura. Não há dúvida de que quem produz material literário, ilustrado ou cinematográfico, por exemplo, é influenciado pelo restante da produção e pelas demandas de mercado, entretanto, há profissionais e amadores que (antes do fenômeno que foi a primeira ou a segunda onda do SteamPunk) consistentemente produzem obras dentro do estilo.
O Conselho SteamPunk acabou encabeçando e, quero crer, provocando – um tanto que inadvertidamente – um movimento entre pessoas que possuem dada inclinação estética ou simpatia pelo SteamPunk.
A imprensa percebe estas coisas e começa a veicular mais a respeito. A maior parte das entrevistas sobre SteamPunk na TV e em podcasts envolvem membros das “Lojas” regionais do Conselho SteamPunk e, com mais gente exposta a estes programas mais gente se interessa em consumir produtos do tipo.
Fatalmente vai haver uma resposta do mercado.
O livro “SteamPunk ~ Histórias de um Passado Extraordinário” é constantemente promovido pelos membros do Conselho SteamPunk – e inclusive distribuído por nós em alguns estados, para popularizar o gênero.
Não sei exatamente o motivo que fez com que a Editora Aleph resolvesse, só agora, publicar “The Difference Engine” no Brasil, mas me parece uma grande coincidência (ou não) que o esteja fazendo.
“Jonah Hex” não é uma obra ruim. É até bem interessante enquanto quadrinho. O filme eu ainda não vi, mas o trailer me deu boa impressão do filme. Não espero profundidade temática de todas as obras que leio ou assisto, seja de SteamPunk ou não, mas me parece que a redução de um gênero a condição de moda não é uma boa medida crítica.
Me parece que é tão bom fazê-lo quanto condenar o quase-gênero “Obras sobre Vampiros” a uma modinha da vez, por conta de “Crepúsculo” ter sido tão bem sucedido.
Modinha ou não, as obras sobre Vampiros são em sua maioria um grande lixo – como tudo (vide Lei de Sturgeon acima) – mas as obras que tornam interessante o “gênero” são justamente aquelas que recaem nos 10% que têm qualidade.
Enfim… “Jonah Hex” se passa no Século XIX, que é o período correto e, se o uso da estética e aparatos SteamPunk tiverem aderência ao roteiro, não vejo grande problema em fazer referência ao gênero. O próprio filme “Sherlock Holmes”, com Robert Downey Jr fez referências ao gênero.
A mistura de gêneros – ou aderência a uma dada moda – não necessariamente “afunda” uma obra em termos de mérito artístico (ou de produto). A meu ver, o que pode afundar a obra é um roteiro fraco e a má execução, dentre outras características técnicas que a tornem medíocre.
Seja como for, portanto, não tenho como falar bem ou mal de uma obra baseado no trailer (ou na capa do livro) e, creio, vamos ter de esperar e assistir o filme antes de desqualificá-lo…
…ao menos é este meu ponto de vista: independente de em que onda uma moda está, uma obra não deveria ser condenada em função de atender aos desejos de uma crescente audiência.
ps: Nem mesmo o uso de Megan Fox no filme – que é uma atriz-modinha-da-vez – me parece motivo suficiente para desqualificar a obra antes de assistir =)
Bruno, veja bem,
Não desqualifiquei o filme com base unicamente no argumento de estar inserido numa ‘modinha’, muito pelo contrário, foi justamente a total descaracterização do personagem (e eu deixei claro a que tipo de história o personagem na minha opinião se presta)que eu critiquei.
Inclusive, até onde eu vi, no steampunk o filme repete os erros (exageros) do filme da Liga Extraordinária, outro quadrinho steampunk completamente subutilizado no cinema.
Como steamer ainda procuro uma boa obra legitimamente steampunk no cinema e que valha algumas estrelinhas na qualificação
Também prefiro a Liga em quadrinhos, entretanto achei o filme muito bom.
Adaptações, quase sempre, acabam sofrendo um processo de reinvenção. A obra original costuma sobreviver quando o autor está envolvido na produção e, ainda assim, é difícil conseguir controle sobre isso.
Em termos de filmes para Steamers eu recomendaria Vidocq, Cidade das Crianças Perdidas e as animações Steamboy, Jasper Morello e 1884.
http://rj.steampunk.com.br/2009/08/04/the-mysterious-geographic-explorations-of-jasper-morello/
http://rj.steampunk.com.br/2009/08/06/1884-yesterdays-future/
O exagero não me incomoda no SteamPunk, me parece fazer parte e, no trailer, não me agrediu não – só deu um tom de comédia-fácil.
Ainda não me sinto à vontade para julgar o resultado da adaptação do personagem sem assistir Jonah Hex. Espero que sua sensação esteja errada.
Parâmetros: Como filme eu dou 3/5 estrelas para a Liga Extraordinária; Como filme SteamPunk eu dou 4/5.
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Quase sempre a versão impressa tem mais valor que o filme que vem depois.
Só pela cara do diabão desenhado dá pra notar que o filme (mais dependente do mercado, até pq é mais caro de produzir) dificilmente vai ser tão expressivo.
Por acaso vocês não sabem qual editora vende a hq Jonah Hex? Se continuam produzindo ou só encontra em sebo?