Jonah Hex é um personagem de quadrinhos casca-grossa, cowboy adotado – e depois renegado – por índios que deformaram sua face gravando “a marca do demônio” (basicamente um talho de machadinha quente descendo o rosto) , andava por aí com o uniforme confederado (lado perdedor da guerra da secessão) e uma postura cínica de dar inveja ao pistoleiro sem nome do Clint Eastwood.
Além do ambiente natural – das histórias de faroeste clássico – o personagem teve uma fase em que foi transportado a um futuro pós-apocaliptico e uma fase “weird West” – histórias que misturam terror e faroeste.
Faroeste clássico/terror/ficção cientifica uau! Não tem como os leitores de quadrinhos – aqueles chatos – reclamarem que estragamos o personagem preferido deles – Jonah, é tu mesmo….Eu não sei o que se passa na cabeça dos produtores hollywoodianos, mas Jonah Hex podia ter virado um filmão de faroeste, um anti-dança com lobos fodasso com um personagem badass mas carismático – claro que explorar esse lado do personagem exige muitas licenças politicamente incorretas e o filme teria problemas com a turma dos político-chatos e deve ter sido por esse motivo que os produtores escolheram se enveredar por tentar transformar o filme num pastiche de terror sobrenatural e a modinha da vez: o steampunk.
Digo isso com base unicamente no trailer divulgado, mas todos os elementos do desastre estão lá. Assistam ao trailer e deixem nos comentários sua impressão:
“Este não é um dos filmes ‘sinta-se bem’ do ano, então, se você é um dos idiotas que preciam se sentir bem, vá fazer uma massagem nos pés”. É assim que Woody Allen volta à eterna New York. Estranho, depois de quatro filmes na Europa… Voltou mais chato, mais reclamão, mais insensível e… Suicida. Pode parecer, mas este não é mais um filme de Allen, somente. Tudo Pode Dar Certo(2009) é excelente, um destaque em seus quase 50 filmes.
Boris Yellnikoff não é um cara fácil de se gostar. Acha que as pessoas não são fundamentalmente descentes, que nada leva a nada e ainda não faltam idiotas para balbuciar. Um velho indicado ao Nobel de Física, ensina xadrez para vermes estúpidos, crianças, e leva a vida na morosidade dos amigos e da música. Certa noite, uma adolescente caipira do sul, que fugiu de casa, aparece à sua porta. A garota logo se apaixona pelo velho e se casam.
Algo interessante em Woody Allen é que não há uma tese em seus filmes, como evidentemente faz Charlie Kaufman – talvez exista algo em A Rosa Púrpura do Cairo e Match Point, mas é tênue e incomum. Mesmo sem uma tese, Allen se afirma no seu humor inteligente e ateu – talvez só por não ser besteirol, cause essa impressão. Em Whatever Works, a trama parece uma crítica ao conservadorismo do sul, presente inicialmente nos pais da garota Melodie, então libertos em New York.
Woody Allen é um cara sortudo: do pulo nesse absurdo-existir, se deu como cineasta. Enquanto segue com seus filmes, seguimos vendo-os, mesmo que sejam Scoop‘s ou Hollywood Ending‘s. Nesse arrastar, sempre podemos roubar um pouco de alegria desse cruel, cão-come-cão e inutil caos sombrio, afinal, tudo pode dar certo.
Sempre gostei deste curta. Por isso decidi colocar aqui – se algum leitor nerd ainda não assistiu, o que pode ser um raridade porque um dos requisitos para ser nerd é estar bem informado sobre coisas que nem sempre possuem utilidade prática (como o cinema, games e histórias em quadrinhos).