Outros Losts

Então lost acabou, depois de 6 anos da série mais explodidora de cabeças de todos os tempos você assistiu ao episódio final, se emocionou e vai guardar toda essa experiência por um bom tempo, ou como a outra metade do mundo, odiou aquela porcaria e acha que o seu final imaginário de lost  é muito melhor que aquele final preguiçoso executado por  Carlton Cuse e Damon Lindelof (ou não, mas nesse caso, se você não consegue imaginar um final melhor, ta reclamando de quê?). O seu consolo é que poderia ter sido pior! (ou não). Já que estamos na ressaca lost vamos nos ocupar de imaginar a premissa lost usada em outros formatos populares nesse mundão afora:

LOST SUPER SENTAI:

Jacob atrai os losties para a ilha em busca de campeões que possam defender o centro de poder do terrível Mib, seu irmão, que, aliado a Benjamin Linus transformou os cientistas da Dharma em monstros malignos e soldados de seus planos em estabelecer um império do mal na ilha.

Assim como na série, o programa começa com a queda do avião e os losties sem saber nada, estabelecem-se na praia, à espera de resgate. Claro que logo são atacados com 6 deles destacando-se na defesa do acampamento. Locke vira o líder natural, mas quase sempre está caçando javalis na ilha isso deixa ele de fora quando Dogen, o ajudante trapalhão de Jacob,  chama os 5 aventureiros para a caverna de Jacob, onde eles serão nomeados os protetores da ilha.  Lá eles recebem seus uniformes (a saber Jack – vermelho, Sayd – azul, Sawyer – Preto, Hurley – Verde, Kate – Amarela) e iniciam as batalhas contra cada uma das estações, agora controladas por Mib e Linus e guardadas por terríveis monstros transformados pelos poderes da ilha.

O Desfecho emocionante da temporada (e da série) se dá quando, após passar por todas as estações, os heróis lutam contra Mib, transformado em gigante por uma fórmula de Benjamin, e devem invocar seu último recurso para ajudá-los: a estátua gigante de Jacob (avariada por uma nave espacial), Jacob estava reparando a estatua até aquele exato momento, salvando a todos no final, depois de uma boa luta de gigantes.

Cadê meu Defensores de Tóquio pra adaptar isso JÁ!

LOST ANIME

Mais uma série com gostinho oriental. Jacob e Mib são duas entidades milenares com interesses diferentes quanto ao destino da ilha, para decidir esse destino Jacob desafiou Mib à um campeonato, graças a uma antiga profecia que dizia que um dia surgiria um campeão que domaria os segredos da ilha mais do que Jacob ou Mib.

Assim ficou estabelecido que Jacob atrairia os guerreiros até surgir o campeão capaz de desafiar Mib na batalha decisiva. As estações foram construídas de maneira a filtrar os candidatos, cada uma guardada por um grande guerreiro, portador de um segredo da ilha. Qualquer semelhança com cavaleiros do Zodíaco é mera coincidência (não elaborei mais, por que sinceramente, odeio cavaleiros do zodíaco, até corri atrás de um guia de episódios decente, mas não consegui, alguém se habilita? Depois adaptamos de novo pra Defensores de Tóquio).

Lost comics.

Digamos que lost tem todo o gostinho de um quadrinho produzido pelos estúdios Marvel (aliás, digamos que Jacob é quase o beyonder de guerras secretas). Aqui Jacob aparece como mentor de uma equipe de pessoas especiais, com alguma ligação aos poderes da ilha. Junte a explicação quadrinistica que eu postei sobre lost no post anterior e você já tem material pra bastante tempo de continuidade.

A iniciativa Dharma seria uma instalação militar, em busca dos segredos da ilha e a causa do desaparecimento da dharma pode ter sido um acidente (e o acidente pode ter liberado o Mib). Aí é que Jacob teve que sair de suas férias e buscar os candidatos ao redor do mundo, sem saber contudo quais seriam os poderes despertados na interação com o “coração da ilha”.

Como séries em quadrinhos em sua maioria tem compromisso com continuidades  maiores (ou muito menores que uma série, por exemplo), fatalmente o Mib encontraria uma maneira de sair da ilha, levando assim os heróis já com seus poderes amadurecidos e explorados para fora da ilha, em missões pelo mundo sempre salvando o dia!

by Noah Mera

Minhas teorias sobre LOST

Goste ou não goste, assista ou não assista, todos devem reconhecer lost como um fenômeno moderno, uma série que soube explorar ao máximo as possibilidades da internet (estimulando os fóruns, comunidades criando ARGs, vídeos virais, complementos à história tanto na internet quanto nas mídias tradicionais) de modo a expandir o universo do programa tornando revolucionando o modo de interagir com ele – LOST é uma experiência.

Em parte este sucesso todo é por que lost jogou uma quantidade absurda de mistérios episódio a episódio, alimentando uma legião curiosa e desesperada por descobrir os segredos da ilha e seus personagens. É aí que a série tem também o seu maior ponto fraco. Proponho uma experiência ao fã – assista aos episódios daqui a 3 anos e os buracos no roteiro vão irritar até o mais ferrenho lostmaníaco, mistérios resolvidos com soluções de emergência, que não se encaixam no contexto da série (ursos polares, fantasmas, uma parte da história e motivação “dos outros”) e sim, falta de explicações a muitos dos mistérios da ilha. Temos mais duas horas e meia de show e nesse tempo NÃO será possível explicar metade do que falta a explicar – a história vai simplesmente encerrar-se com as duas linhas do tempo se juntando e vamos continuar sem saber a real natureza de Jacob e Flocke (de falso-locke) e tantas outras pontas que vão ficar soltas.

Aliás, meu maior medo é que no final a coisa caia para o novo lugar comum das explicações pseudo-cientificas: A Física Quântica, aproximando a dualidade lostiniana entre a magia e a ciência do esoterismo quântico de boteco de “o segredo” e picaretagens anexas.
Talvez por isso eu resolvi criar a minha própria explicação sobre os mistérios de Lost, com base em uma pseudociência que eu adoro: a ciência fantástica dos quadrinhos! Tomo aqui a liberdade e invoco o espírito de Jack Kirby para me ajudar na empreitada.

O Início…

Até onde tudo leva a entender a ilha foi o lar de uma civilização avançada no passado, talvez seja até mesmo a lendária Atlântida (ou Lemúria) e seus habitantes podem ter desvendado os segredos do coração da ilha, uma energia eletromagnética poderosa capaz de garantir o poder absoluto aqueles que desvendarem seus segredos, porém como é da natureza humana, este poder foi usado nos jogos e intrigas dos poderosos (Eles vêm. Eles lutam. Eles destroem. Eles corrompem) e acabou por dar fim àquela civilização.

E o fim veio através de uma criação humana, que saiu do controle. Os cientistas (ou magos – segundo Arthur C. Clark poderiam ser a mesma coisa) perceberam que a consciência é em última analise o resultado de manifestações elétricas que ocorrem no cérebro (isso vem de um conto do Asimov) e passaram a experimentar, manipulando as energias até chegar ao protótipo de uma consciência artificial, desvinculada a um corpo – um meme. Inicialmente concebido como uma arma, uma idéia contagiosa – um vírus a invadir a consciência das pessoas, acontece que a arma voltou-se contra seus criadores, e lentamente influenciando pessoa a pessoa levou a civilização original à ruína. Isto nos leva a um pequeno grupo, ou até mesmo a um único sobrevivente que conseguiu de alguma maneira aprisionar a criatura, o meme, próximo ao coração da ilha onde sua capacidade é enfraquecida.

Isto aconteceu a muito tempo, muito antes de Jacob chegar à ilha e esta história perdeu-se, tornando-se uma lenda passada de guardião a guardião – o portador dos segredos que Atlântida possuía e também da culpa pela autodestruição causada pelo domínio pelos humanos desse segredo divino.

Foi quando Jacob lançou o irmão à caverna, de alguma maneira libertando o meme, que ‘tomou’ a consciência (e a forma) do falecido. Mas o que isto tem haver com o final da história? Se a explicação fosse que o fumacinha e o Jacob são duas divindades brigando em uma aposta milenar não ia soar melhor? Calma.

Leva ao fim.


Então os personagens que amamos foram tragados por um jogo que vem se desenvolvendo à séculos por duas entidades antagônicas. Como será que isso acabará? Bem, creio que tenha haver com as propriedades eletromagnéticas da ilha. Se entendermos a alma/consciência como um fenômeno elétrico que devido ao bolsão de energia consegue persistir desvinculada do corpo e que o homem de preto é um vírus deste sistema, as personagens-chave do final da série passam ser aqueles que tem alguma habilidade com eletromagnetismo: Miles, Desmond e o novo guardião.
O que eu acho que vai acontecer é que caberá a Miles matar/exorcizar a entidade (lembrando que até onde tudo indica o meme exerce alguma influência pela voz – será que vem daí a sua também fraqueza ao som? – e Miles até agora é o único personagem que não falou com a entidade).

Quanto a Desmond, bem, ele é o único que pode ir até o coração da ilha (sem ter sua consciência aniquilada pelo poder eletromagnético) e realmente acho que o último plano de Jacob não envolve a destruição da ilha, mas sim Desmond mergulhando no coração da ilha e trazendo de lá algo que serviria como arma para aniquilar o meme (ou pelo menos para aniquilar a consciência hospedeira, deixando o caminho livre para que Miles com alguma habilidade nova – ou que releve naquele instante absorva/destrua o meme.)

Mas e a realidade paralela? Anda se especulando que o ponto de partida da realidade paralela seria dado no final da série, e não na explosão da bomba na quinta temporada. Não creio nisso. É a explosão que cria as condições para que se crie uma linha do tempo paralela – paralela mas ainda assim fora de lugar – as personagens na linha do tempo alternativa estão lembrando da linha do tempo “oficial” – como se a alternativa estivesse realmente “errada” e o plano de Desmond parece apontar para a reunião dos personagens de modo a culminar em algum evento no conserto de música – talvez o encontro de todos desperte as memórias e que de alguma maneira vão entrar em conflito com aquele universo gerando uma reação em cadeia que talvez seja a arma final contra a entidade…. será? Será que o universo paralelo está contido em algum espaço próximo ao coração da ilha, construído com a mágica tecnológica de Atlântida, dominada por Eloise Hawkins?

Muito provavelmente não. Mas foi divertido elocubrar tudo isso, a maior graça da série inclusive é esta, ser tão maluca que você pode encaixar os devaneios mais malucos pra bolar a sua própria explicação.

by Noah Mera

Jonah Hex – Faroeste de Terror Steampunk? Não, Obrigado!

Jonah Hex é um personagem de quadrinhos casca-grossa, cowboy adotado – e depois renegado – por índios que deformaram sua face gravando “a marca do demônio” (basicamente um talho de machadinha quente descendo o rosto) , andava por aí com o uniforme confederado (lado perdedor da guerra da secessão) e uma postura cínica de dar inveja ao pistoleiro sem nome do Clint Eastwood.
Além do ambiente natural – das histórias de faroeste clássico – o personagem teve uma fase em que foi transportado a um futuro pós-apocaliptico e uma fase “weird West” – histórias que misturam terror e faroeste.
Faroeste clássico/terror/ficção cientifica uau! Não tem como os leitores de quadrinhos – aqueles chatos – reclamarem que estragamos o personagem preferido deles – Jonah, é tu mesmo….Eu não sei o que se passa na cabeça dos produtores hollywoodianos, mas Jonah Hex podia ter virado um filmão de faroeste, um anti-dança com lobos fodasso com um personagem badass mas carismático – claro que explorar esse lado do personagem exige muitas licenças politicamente incorretas e o filme teria problemas com a turma dos político-chatos e deve ter sido por esse motivo que os produtores escolheram se enveredar por tentar transformar o filme num pastiche de terror sobrenatural e a modinha da vez: o steampunk.
Digo isso com base unicamente no trailer divulgado, mas todos os elementos do desastre estão lá. Assistam ao trailer e deixem nos comentários sua impressão:

by Noah Mera

Whatever Works, a nova obra de Woody Allen

“Este não é um dos filmes ‘sinta-se bem’ do ano, então, se você é um dos idiotas que preciam se sentir bem, vá fazer uma massagem nos pés”. É assim que  Woody Allen volta à eterna New York. Estranho, depois de quatro filmes na Europa… Voltou mais chato, mais reclamão, mais insensível e… Suicida. Pode parecer, mas este não é mais um filme de Allen, somente. Tudo Pode Dar Certo(2009) é excelente, um destaque em seus quase 50 filmes.

Boris Yellnikoff não é um cara fácil de se gostar. Acha que as pessoas não são fundamentalmente descentes, que nada leva a nada e ainda não faltam idiotas para balbuciar. Um velho indicado ao Nobel de Física, ensina xadrez para vermes estúpidos, crianças, e leva a vida na morosidade dos amigos e da música. Certa noite, uma adolescente caipira do sul, que fugiu de casa, aparece à sua porta. A garota logo se apaixona pelo velho e se casam.

Algo interessante em Woody Allen é que não há uma tese em seus filmes, como evidentemente faz Charlie Kaufman – talvez exista algo em A Rosa Púrpura do Cairo e Match Point, mas é tênue e incomum. Mesmo sem uma tese, Allen se afirma no seu humor inteligente e ateu – talvez só por não ser besteirol, cause essa impressão. Em Whatever Works, a trama parece uma crítica ao conservadorismo do sul, presente inicialmente nos pais da garota Melodie, então libertos em New York.

Woody Allen é um cara sortudo: do pulo nesse absurdo-existir, se deu como cineasta. Enquanto segue com seus filmes, seguimos vendo-os, mesmo que sejam Scoop‘s ou Hollywood Ending‘s. Nesse arrastar, sempre podemos roubar um pouco de alegria desse cruel, cão-come-cão e inutil caos sombrio, afinal, tudo pode dar certo.

by Rafael Costa

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